Internet para todos? Nada disso, o que Zuckerberg quer é Facebook para todos

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A rede social divulga seu projeto Internet.org como forma de levar acesso gratuito à parcela mais pobre da população mundial. Seria lindo, se fosse verdade. O que a empresa faz é conceder apenas uma versão editada do mundo virtual

A internet já parece intrínseca à civilização. Mas não é bem assim. Mesmo após o boom mundial da rede, dois terços da população mundial não têm acesso a ela. Abrir as portas do mundo online para essas pessoas traria benefícios inegáveis. Por exemplo: segundo um estudo do Banco Mundial, o efeito positivo da web na educação, no empreendedorismo e em fomentar o ambiente democrático faz com que um aumento de 10% no número de pessoas conectadas impulsione um crescimento de 1,3% no PIB de um país. Por isso, foi recebida com alvoroço a notícia de que o Facebook começaria a se empenhar para convencer empresas e governos a espalhar a internet por todos os cantos. “Há barreiras enormes em países em desenvolvimento para se conectar e assim fazer parte da economia mundial. Criaremos uma parceria global que superará esses desafios levando o acesso gratuito àqueles que não podem pagar”, afirmou Mark Zuckerberg, criador e CEO do Facebook, ao anunciar o projeto Internet.org em 21 de agosto de 2013. A intenção de espalhar a internet por recantos do planeta, como favelas na Índia e no Brasil, parecia cheia de bom-mocismo, e foi vendida assim. O problema é que a iniciativa se revelou sobretudo uma jogada de marketing e de negócios – nada disso de democratizar o acesso – quando começou a ser implementada.

A internet que o Facebook leva aos pobres não é aquela que conhecemos, aberta, livre de amarras, onde se pode navegar pelo app ou site de preferência, seja a rede social de Zuckerberg ou uma concorrente dela. A gigante do Vale do Silício escondeu que a rede gratuita que começou a instalar dá acesso apenas a programas e páginas do Facebook e de parceiros selecionados, a exemplo do Wikipedia. Para acessar o restante do mundo online (ou seja, quase tudo que há digitalizado na rede) é preciso pagar. Em outras palavras, o que era vendido como filantropia não passava de uma malandra jogada de negócios.

O projeto já está em seis países e atinge 800 milhões de pessoas. As críticas mais ferrenhas ao plano começaram em fevereiro deste ano, quando o Internet.org foi lançado na Índia, onde o grupo de empresas liderado pelo Facebook esperava alcançar 1 bilhão de pessoas. Houve uma forte reação popular ao projeto quando se descobriu que os pobres beneficiados pela iniciativa só teriam acesso à internet editada pelo time de Zuckerberg. Resumiu o indiano Times Group, um dos maiores conglomerados de mídia do planeta, em comunicado oficial contra o Internet.org: “Apoiamos a neutralidade da rede porque ela cria um campo de jogo justo e igual para as empresas, grandes ou pequenas.”

Fonte: Veja

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