“Até aqui em casa a gente só se fala pelo celular!”

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Parece estranho para algumas pessoas, mas mais de 50% das minhas conversas com a família são feitas via mensagem no celular. É que a gente só fica junto em casa à noite, na hora do jantar. Depois vai cada um para o seu canto e, sempre que precisamos nos falar, escrevemos no grupo do WhatsApp. Somos t ão conectados que até nossas brigas acontecem no aplicativo! Até prefiro. Pelo menos não tem gritaria no barraco virtual e ninguém fica te interrompendo. Para o bem e para o mal, somos uma família da era digital.

Ter um grupo no Whats com a família tem suas vantagens e desvantagens. É muito prático estar no quarto e pedir um copo de água para alguém da cozinha sem ter que gritar, por exemplo. Até porque ninguém te escuta direito do outro lado da casa e a gente sempre grita mais de uma vez. Tenho uma tia na Suíça que voltou a fazer parte da nossa vida graças ao aplicativo. Também adoro o fato de que posso tirar dúvidas e compartilhar os acontecimentos do dia a dia com todo o mundo de uma vez só. É uma bela economia de tempo!

A gritaria pela casa acabou. Já a cobrança…

Por outro lado, o aplicativo permite à dona Silvia estar na minha cola o tempo inteiro. Não tem mais como dizer “Não ouvi” como desculpa para se livrar da louça. Minha mãe sempre foi de ligar, mas agora ela também me cobra se demoro a ver ou responder as mensagens do grupo.

Se canso, basta desligar

Em setembro de 2013, quando fiz um intercâmbio no exterior, era como se ela estivesse comigo, porque pedia fotos o tempo todo, perguntava onde eu estava, com quem estava, que horas voltaria para casa… E ai de mim se não respondesse!

A gente troca tanta mensagem que até cansa. Por isso, às vezes desativo o Wifi e o 3G para ter um pouco de paz. Mas o aplicativo nos ajuda a resolver pequenos problemas do dia a dia mais rápido e parece que, como as brigas não são olho no olho, elas são mais leves. Como se não fosse uma discussão de verdade, sabe?

É claro que a gente continua conversando pessoalmente – muitas vezes sobre assuntos que começaram no aplicativo, piadas e vídeos – e sempre fazemos passeios em família. Todos com direito a selfies para minha tia ver na Suíça. Talvez por isso não veja problema nenhum em usar tanto o celular. Mesmo com as cobranças, não cogito sair do grupo. Acho que faremos cada vez mais coisas pelo aparelhinho. – JOANA CEZARETTO GASPARINI, 18 anos, estudante, São Paulo, SP

“O Whats me dá tranquilidade e segurança”

“Faço a linha mãe coruja e acho o WhatsApp ótimo. Assim, sei tudo o que acontece com a Joana e o Guilherme. Além de compartilhar momentos do meu dia com quem amo, aproveito para saber se meus filhos chegaram na hora certa em casa. Acho que a gente exagera às vezes, mas me sinto segura sabendo que estão todos bem.” – SILVIA GASPARINI, 52 anos, relações públicas, a mãe da Joana

App não deve ser único canal de conversa

Se comunicar pelo WhatsApp é prático, mas será que é bom usar tanto o aplicativo? Para a terapeuta familiar Heloísa Capelas, o fenômeno ainda é muito recente para ser avaliado. Ela defende que o importante é aliar tecnologia e afeto e dá dicas:

ESQUEÇA O IMEDIATISMO
Estar conectado o tempo todo criou um senso de urgência nas pessoas, que têm pressa em responder mensagens. Só que isso gera ansiedade constante. Não se cobre para responder tudo o tempo todo.

DISCUTA PESSOALMENTE
Conversar por mensagem escrita evita desconfortos. Mas é preciso enfrentar um papo cara a cara de vez em quando para se aproximar das pessoas e aprender a lidar com problemas de convivência.

MANDE MENSAGEM DE VOZ
O WhatsApp tem um recurso de mensagem de voz. Falar ao invés de digitar passa mais emoção e gera um clima de cumplicidade na conversa, o que contribuiu para aproximar as pessoas (mais que o texto).

Fonte: UOL

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