Investimentos em previdência privada aumentam no Brasil

Share

Em tempos de insegurança econômica, a preocupação com investimentos ou simplesmente com a estabilidade financeira, faz com que parte dos contribuintes não satisfeitos com a aposentadoria do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) decidam aderir à previdência privada. De acordo com dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Viva (Fenaprevi), as contribuições feitas à previdência complementar aberta registraram um aumento de 28,4% no primeiro semestre de 2015, frente ao mesmo período do ano passado.

Sendo complementar à previdência pública, os planos de previdência privada são notórios por ser possível escolher o valor da contribuição e sua periodicidade. O contribuinte pode optar depositar R$ 200 por ano, por exemplo, e o valor que receberá quando começar a fazer usos dessa previdência será proporcional ao que contribuiu. Além deste fator, o investimento nesta aposentadoria alternativa pode ser resgatado pela pessoa, caso ela opte por desistir do plano. De acordo com o especialista em educação financeira, Carlos Fraga, as mudanças no cálculo da aposentadoria recentemente aprovada pelo Governo Federal tem sido um dos principais fatores que já levam contribuintes a se precaver e buscar a previdência privada como forma de não depender apenas do INSS após os muitos anos de trabalho, proporcionando assim, um merecido conforto financeiro.

“Através da previdência complementar você pode ter um complemento de renda, e assim, segurança de complementação de aposentadoria para ter um padrão de vida similar, ou até maior que na época em que estava trabalhando”, explica Fraga, acrescentando que a tendência das previdências privadas, é de que continuem aumentando.

Entre os tipos de previdência privada, está o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), que é recomendado para pessoas com renda mais alta, pois o valor pago ao plano pode ser abatido no Imposto de Renda (IR) – desde que esse valor represente até 12% de sua renda bruta anual. Porém, quando é sacado o dinheiro, o imposto pago é referente ao total que havia no fundo. Por exemplo, se esse valor for de R$ 300 mil, o imposto será cobrado sobre ele.

Plano pode ser feito no início da carreira profissional

O outro tipo de previdência complementar é o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL), no qual sua diferença para o PGBL é que ele não pode ser abatido no IR. No entanto, quando o dinheiro é sacado, o imposto cobrado é referente ao rendimento do valor investido. Um exemplo é que, se a quantia investida foi de R$ 600 mil, mas o rendimento ao longo do plano foi de R$ 300, o imposto cobrado será referente a este último montante. Este também acaba sendo um plano indicado para as pessoas que possuam renda menor, e que, por isso, acabam por declarar imposto nos formulários simplificados, ou não declaram imposto.

Quando uma pessoa inicia um plano de previdência complementar – independentemente deste ser PGBL ou VGBL – pode adicionar um pecúlio por morte ou invalidez. Essas opções funcionam como um seguro. No primeiro caso, quando o contribuinte que faz o investimento perece, o dinheiro acumulado é dado à família. Já no segundo caso, se a pessoa que paga perde suas condições de trabalho, o valor depositado é entregue a ela mesma.

A princípio, não existe uma idade certa para dar início a um plano de previdência complementar, nem mesmo a comprovação de renda. Até mesmo os pais mais preocupados com o futuro do seu filho, por exemplo, podem iniciar um plano quando este ainda é recém-nascido. Contudo, alguns especialistas recomendam que, por ser um investimento que só terá resultados a longo prazo, que a pessoa já faça o plano assim que iniciar sua vida profissional.

Recém formada em Letras, Giovanna Cavalcante decidiu se antecipar, e já contratou um plano através do Banco do Brasil, onde paga R$ 75 pela previdência privada – cuja taxa administrativa cobrada pelo banco chega a aproximadamente R$ 17. “Eu preferi deixar em um valor que não iria impactar tanto no meu orçamento, mas também sem deixar de aplicar para a reserva pós-carreira”.

Embora pareça um bom negócio a primeira vista, Carlos Fraga alerta para que o contribuinte fique atento às taxas administrativas cobradas pelas instituições financeiras. “É bom verificar, junto a alguém que tenha o conhecimento técnico, por que alguns bancos propõem um valor menor que o rendimento real que você tem aplicado”.

Renda extra pesa muito no bolso do contribuinte

Contudo, embora investir na aposentadoria seja sinônimo de guardar dinheiro através da previdência complementar, há pontos negativos que podem não compensar a adesão de um plano privado. Segundo aponta o economista do setor de finanças, Edízio Freire, o plano costuma ser um produto muito caro para o contribuinte, em vez que a maioria dessas adesões possui taxas para a entrada e a saída do dinheiro investido, fazendo com que parte do dinheiro aplicado pelo investidor nem chegue a ser realmente investido.

“A previdência privada acaba tendo uma liquidez muito baixa, e se você precisar sair antes do plano terminar sairá muito caro. À nível de rentabilidade tem mais segurança, e à nível de conforto financeiro também. Só que existem outros investimentos similares que dão um nível de liquidez melhor, no qual você programa os mesmos depósitos, e vai ter uma rentabilidade também boa, com um custo menor para quando você precisar sair”, explica o economista. As outras opções de investimento que podem ser mais interessantes – e mesmo mais seguras – para quem pensa no longo prazo da aposentadoria é o Tesouro IPCA+, título disponibilizado pelo programa Tesouro Direto do governo federal que paga uma rentabilidade definida previamente mais o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano.

Atualmente, esses títulos pagam rentabilidade real de mais de 6% ao ano, fora que, o mesmo título oferece segurança financeira, atrelada às taxas cobradas em sua compra são mais baixas do que previdência privada. Contudo, o educador financeiro Carlos Fraga também chama atenção de que o título não é um plano de aposentadoria, e sim uma aplicação financeira. Cabe então, ao contribuinte, decidir a melhor forma de conquistar o conforto do período pós-carreira ideal.

CQCS

Share