Mercado de seguros é afetado pela intervenção no Rio

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Desde o dia 16 de fevereiro, após decreto do presidente Michel Temer, a segurança pública do Rio de Janeiro está sob intervenção militar. A medida foi tomada para tentar diminuir os casos de violência no estado. O Instituto de Segurança Pública (ISP) registrou que, no ano passado, o volume de roubos e furtos de veículos cresceu 16,6% no estado fluminense, é o maior número desde 2003. Homicídios também aumentaram. São 36,7 assassinatos a cada 100 mil habitantes, de acordo com a instituição.

Os dados do instituto ainda revelam que, na capital, bairros como Engenho Novo e Botafogo registraram um aumento de mais de 95% em roubos ou furtos de automóveis. Esses números fizeram com que as seguradoras tivessem relutância na hora de fechar contratos. Com isso, muitos corretores apoiaram a medida de Temer.

Em entrevista ao jornal O Globo, o diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Julio Cesar Rosa, declarou que companhias do setor deixaram de trabalhar com pelo menos cinco bairros do Rio: Cavalcanti, Manguinhos, Sampaio, Pavuna e Rocha Miranda. E a negativa para novos contratos se estende a várias localidades da Região Metropolitana que ficam próximas a favelas. O preço calculado para a apólice pode ficar até 15% mais caro de acordo com o percurso do segurado.

“Se a estatística de roubo não cair, pode crescer a negativa (de aceitar o cliente) e haver um aumento considerável no valor do seguro, algo que não seria bom para ninguém. Infelizmente, as expectativas não são boas, os roubos continuam. A verdade é que a área de segurança do estado vem tendo dificuldade para atacar a bandidagem”, critica Rosa.

Mais de 200 roubos durante o carnaval

Jayme Torres

Jayme Torres

O assunto tornou-se pauta da imprensa no mês de fevereiro, somente durante o período do carnaval, foram mais de 200 automóveis roubados na cidade. O presidente do Clube dos Corretores de

Seguros do Rio de Janeiro (CCS-RJ), Jayme Torres, se pronunciou a respeito da intervenção. “Apoiamos porque algo precisava ser feito. A sensação de insegurança era enorme. Por esse aspecto, a intervenção foi positiva. Caso não tivéssemos essa interferência, necessitaríamos de outra providência. Como estava não poderia ficar”, declarou.

O roubo de cargas também é um problema para o estado. De acordo com dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), em 2016, foram 9.870 casos, o que representou 43% do total de cargas roubadas no Brasil. O Rio o único estado do País em que os transportadores cobram uma taxa adicional de entrega, denominada EMEX (Taxa de Emergência Excepcional). A tarifa foi criada para garantir novos processos de segurança ao embarque e tentar minimizar os riscos.

Outras áreas atingidas

Henrique Brandão

Henrique Brandão

Uma pesquisa realizada pelo G1 em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre os dias 21 e 27 de agosto de 2017, constatou que a cidade do Rio teve quase 10 vezes mais homicídios do que Londres no mesmo período. Foram 27 casos na capital fluminense contra três registros londrinos. No estado, segundo o ISP, até novembro de 2017, foram registrados 36,7 assassinatos a cada 100 mil habitantes. O número já foi o segundo maior registrado nos últimos sete anos.

Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado do Rio de Janeiro (Sincor-RJ), Henrique Brandão, o positivismo é um dos fatores que podem ajudar o mercado segurador. “A minha mensagem é para que a categoria permaneça otimista em relação à melhora do quadro de violência. Com a medida militar, até dezembro, esperamos ter um upgrade dessa situação”, pondera.

O líder militar responsável pela intervenção é o general Walter Souza Braga Netto, 60, do Comando Militar do Leste, que está no exército há 43 anos. O oficial foi o responsável pela segurança do Rio durante as Olimpíadas de 2016. “Tenho um imenso respeito pelo General Braga Netto. Sinto plena confiança que essa interferência será a nossa recuperação”, animou-se Brandão.

A respeito da má fama que o estado pode ter após a repercussão dos casos calamitosos na mídia, o presidente do CCS-RJ, Torres, declarou que as seguradoras trabalham em cima de estatísticas. E que, depois de resolvido o problema, a situação irá se normalizar. “O Rio voltará a ser um mercado forte e explorado pelas seguradoras”, terminou.

Maike Silva
Revista Apólice

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