PF prende quadrilha suspeita de fraude no seguro-desemprego

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Criminosos usavam dados falsos de trabalhadores para desviar dinheiro.
Polícia Federal estima que prejuízos ultrapassam R$ 10 milhões.

A Polícia Federal no Tocantins desarticulou uma organização criminosa especializada em fraudar benefícios de seguro-desemprego. Segundo informações da PF, indícios colhidos no inquérito policial demonstram que os criminosos tinham acesso ao sistema do Ministério do Trabalho e Emprego. Eles faziam o requerimento de benefício usando dados de PIS de trabalhadores reais e fictícios. A suspeita é de que o prejuízo causado à União supere R$ 10 milhões. A operação é denominada Xeque Duplo. A polícia prendeu 11 pessoas no Tocantins, cinco em Goiás e quatro no Maranhão. Um dos suspeitos do crime no Tocantins, já cumpria pena na Casa de Prisão Provisória de Palmas. A suspeita é de que ele agia de dentro da unidade.

A PF disse que para realizar a fraude, os membros da organização criavam perfis de desempregados por meio de dados falsos referentes a empresas laranjas. Os crimes cometidos pelos suspeitos são de organização criminosa, estelionato, falsificação de documento, uso de documento falso, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas e lavagem de dinheiro.

A PF informou ainda que além da operação Xeque Duplo, foi realizada outra, a Duas Caras. Esta se refere a fraude praticada por dois integrantes da mesma organização criminosa. Eles agiam com a participação de terceiros e tentavam enganar a própria Justiça. Criavam um processo em que contestavam um saque do seguro-desemprego. Depois, os dois suspeitos ingressavam com ação por danos morais na Justiça Federal contra a Caixa Econômica Federal.

Uma das envolvidas foi presa na manhã desta quinta-feira. Segundo a PF, a conta dela foi usada para o saque de R$ 51 mil, em maio do ano passado. Depois disso, ela teria entrado na justiça alegando que tinha sido alvo de um golpe. “A conta dela recebeu recursos, que o Ministério do Trabalho confirmou que foram adquiridos de forma fraudulenta do seguro-desemprego. Outras pessoas ligadas à organização falsificaram o documento de identificação da correntista, sacaram o dinheiro, transferiram para outra pessoa no estado de Goiás e posteriormente contestaram este saque contra a Caixa Econômica Federal e ainda entraram com uma ação por danos morais”, explicou o delegado Luis Felipe Felipe da Silva.

Nas duas operações foram mobilizados 110 policiais federais para o cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva, 10 mandados de prisão temporária, três mandados de condução coercitiva e 21 mandados de busca e apreensão nos Tocantins, Goiás e Maranhao. No estado tocantinense, foram presas pessoas de Palmas, Porto Nacional e Araguaína. Todos os mandados foram expedidos pela 4ª Vara Criminal da Justiça Federal em Palmas.

Um dos suspeitos de envolvimento na organização, inclusive, já se encontra em um presídio do Tocantins. Ele foi condenado a 21 anos por estelionato, lavagem de dinheiro e corrupção ativa. Os policiais vão até a Casa de Prisão Provisória de Palmas cumprir mais dois mandados contra ele.

O homem, que não teve o nome divulgado, foi preso em flagrante em junho do ano passado com cartões de seguro-desemprego falsificados. Ele seria o marido da mulher que teve a conta usada e que também faz parte da organização. Segundo a polícia, provavelmente ele agia de dentro da unidade prisional.

O delegado Danillo Robatto disse que a suspeita é que os membros da organização aliciavam servidores da Caixa, Sine e Ministério do Trabalho e Emprego. A PF informou que o grupo também é suspeito de lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, eles usavam o dinheiro para comprar casas de luxo, terrenos, carros e motocicletas. A polícia disse que nesta quinta-feira, foram apreendidos veículos, computadores, aparelhos celulares, espelhos de formulários de seguro, documentos falsificados e uma máquina para falsificar documentos.

Fonte: G1

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